O corpo após gerar um bebê
- Laiziana S. C.

- 29 de mar. de 2019
- 2 min de leitura
Aproveitando a série GESTAÇÃO que estou postando, decidi repostar esse texto maravilhoso da @acolhedoramente sobre as marcas de um parto.
Costumo escutar com frequência: “meu corpo ainda não voltou”. E sempre me interrogo... Mas o corpo volta? Pra onde? Como? E aí que vêm a constatação, talvez um pouco frustrante mas necessária de ser dita e compartilhada: o corpo não volta. Nenhum corpo volta. Nem o da puérpera, nem o da mulher que completa 40 anos, nem mesmo o do homem. Essa é uma fantasia culturalmente criada e fonte de muito sofrimento. Nenhum corpo volta, não existe flashback corporal, nosso corpo de hoje já não é o de semana passada. Ele está uma semana a frente, com suas marcas, vivências, registros, emoções. O corpo “de antes” é parte do passado, o corpo de hoje não será o de amanhã. Parece óbvio, mas não é. Em meio à todas as exigências do puerpério, da maternidade, do encontrar-se nesse novo eu, ainda existe a violenta realidade da pressa em reencontrar esse corpo de antes. E se eu te disser que ele nunca vai voltar, e tudo bem? Para além dos quilos a mais, dos seios maiores, das estrias, da flacidez, que sim incomodam, nenhuma mulher (mesmo as blogueiras fitness, acredite) está imune, gestar um filho deixa marcas. Não estou dizendo que é errado buscar se exercitar, perder peso, cuidar de si. Pelo contrário, é fonte de saúde: física e mental. Buscar sentir-se bem consigo mesma é parte desse processo de construção do novo eu após a gestar. Lembrando sempre que buscar sentir-se bem no corpo de hoje não é sinônimo de buscar o corpo de antes. O no pós-parto não é mais o mesmo e tudo bem. Você também não é mais a mesma.


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